01/02/18 | 9:55
Secretarias debatem atendimento educacional aos índios Warao

Representantes das Secretarias Municipais de Educação (Semed) e da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh) estiveram reunidos, nesta quarta-feira, 31/1, para discutir o atendimento das crianças indígenas da etnia Warao, refugiadas em Manaus, pela rede municipal de ensino no ano letivo de 2018.

Para o ano de 2018, 27 crianças, entre 4 e 11 anos, já estão matriculadas em unidades municipais e terão garantidos, além do acesso ao ensino, material didático e fardamento. Também há a previsão do lançamento de um Processo Seletivo Simplificado (PSS) para contratar professores indígenas Warao, que auxiliarão nesse processo de alfabetização e também manutenção dos traços culturais da etnia venezuelana.

No encontro, foram debatidas questões como acesso a matrícula nas escolas municipais e o acompanhamento necessário para que essas crianças realmente frequentem as aulas e possam ser incluídas socialmente, por meio da Educação, indo de encontro ao tema do ano letivo 2018, que é “Inclusão para a promoção da paz e da solidariedade”. As Gerências de Educação Escolar Indígena (GEEI) e de Atividades Complementares e Atividades Especiais (Gacpe) da Semed são os setores responsáveis por tratar a questão.

Presente na reunião, a secretária municipal de Educação em Exercício, Euzeni Trajano, explicou que desde o ano passado vem sendo realizadas várias tratativas entre Prefeitura e os Waraos com o intuito de definir o melhor atendimento aos indígenas, sendo promovidas algumas ações educativas.

“Trabalhamos efetivamente nos dois últimos meses de 2017 desenvolvendo atividades lúdicas e que pudessem auxiliar no processo de desenvolvimento e integração das crianças. Agora, com o inicio do ano letivo de 2018, conseguimos incluí-los nas escolas regulares”, informou.

A secretária ressaltou que além do ensino regular, a prefeitura vai oferecer, por meio da Escola de Serviço Público Municipal e Inclusão Socioeducacional (Espi), aulas de língua portuguesa aos adultos da etnia e, futuramente, a possibilidade de que eles se matriculem na Educação de jovens e Adultos (EJA), por meio do Programa Municipal de Escolarização do Adulto e da Pessoa Idosa (Promeapi).

A assessora pedagógica da Gacpe, Eliana Hayden explicou que as matrículas foram realizadas por iniciativa dos pais e das próprias crianças, que já estão ansiosas pelo o início das aulas.“As crianças ficaram muito animadas, elas têm muito interesse de estudar e querem aprender a escrever o nome, ler e falar português. Em alguns casos a família não demonstrou interesse, mas acreditamos que com o decorrer do tempo, isso mude”.

Para a assistente social da Semmasdh, Geysa Moura, esse tipo de ação é importante porque enquanto ainda estavam na Venezuela, os Warao não tinham acesso à educação, a menos que fossem para as cidades e mesmo assim, costumavam sair cedo por questões culturais e que isso tem sido modificado graças ao trabalho realizado pela Prefeitura de Manaus.

“Todos os indígenas Warao acolhidos tem uma vontade muito grande de estudar, mas na Venezuela eles não tinham acesso à escolarização. Aqui, no contexto de Manaus, eles já estão tendo outra visão, de  que é preciso estudar, os adolescentes já não estão mais com aquela ideia de que precisam casar logo, estão buscando estudar para buscar uma inclusão maior na sociedade”, pontuou Geysa.

A antropóloga da Semmasdh, Ana Carla Noli ressaltou que, devido às peculiaridades dos Warao, por serem indígenas e venezuelanos, podem ocorrer muitos entraves a adaptação na nossa sociedade, no entanto, as reuniões e parcerias tem se mostrado afirmativas.

“A reunião teve um saldo positivo, estamos fazendo parcerias muito boas e toda a equipe estará presente, ajudando na primeira semana para conseguir aquilo que a educação está precisando, sempre pensando nessa adaptação das crianças na nossa sociedade para que ocorra da maneira mais fluida possível”, concluiu Noli.

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Texto: Alexandre Abreu / Semed

Fotos: Cleomir Santos / Semed